As coisas no país estavam de tal modo que alguém pensou que teriam que mudar-se esse estado de coisas e ao frente dos chaimites da Escola Pratica de Cavalaria, plantasse as seis da manha, hora magica, no Terreiro do Paço disposto a rematar com o Estado Novo e depois de brigas menores, às 10 horas tem que parar uma força muito superior, Cavalaria 7ª ao mando do brigadeiro Junqueira dos Reis com carroças de combate M47.

O nosso homem que não e outro que o Capitão Salgueiro Maia, com grave risco da sua própria vida, obtém a adesão das forças militares até esse momento fiéis ao governo de Marcelo Caetano. Com rapidez as forças deslocam-se para o largo do Carmo, chegando às 11:30 horas e rodeadas do povo, que e sempre o que mas ordena!! e que expectante observa com alegria que o nosso herói, o nobre Capitão Salgueiro Maia, rodeia a Esquadra Geral da GNR, onde fugidos e na procura de refúgio seguro, topar-se-iam o Almirante Américo Thomas e o Doutor Marcelo Caetano, os quais depois de se render ao General Spínola; pois não queriam render-se ante um capitão.

É então que são levados cara o quartel da Pontinha numa chaimite da Escola Pratica de Cavalaria. É nesta que telefonema Bula a fim de dirigir ao exílio. Todo o demais que aconteceu já e a continuidade da história, mas aqui o que contamos e um dia na vida de um homem, depois por um tempo esquecido, que mudou a história de Portugal. O Capitão Salgueiro Maia.

O tempo passou e no ano seguinte, 1975, morreu o tirano da Espanha e nós iniciamos algo que de algum modo darão em chamarem muitos de “exemplar” transição. Portugal partiria com a tirania para fazer um país novo, foi um corte, uma rutura com o passado, e justo é que nessa palavra está a diferença com o que a nós nos passou. O nosso foi uma simples reforma, muito mal feita por certo, do franquismo. O de Portugal e os portugueses foi uma rutura com o Salazarismo e o Estado Novo. Na constituição da que nasce o Portugal atual, não há ninguém por acima da lei, na espanhola nascida da batota da “Transición” consagrar-se-á à Chefia do Estado na “Corona”, como cargo vitalício e baixo a premissa “Orweliana” de que todos somos iguais, mas alguns são mas iguais que outros.

Na rutura com o passado que levou para adiante o nosso amado Portugal a premissa foi que e “O povo o quem mais ordena”. Na reforma levada na “modélica transición española” o povo é o que é ordenado. Finalmente, olhamos como essa é a diferença. Em um lugar houve uma rutura, mais ou menos imperfeita, e no outro houve uma reforma de todo imperfeita. Um é hoje uma republica democrática e a nós privar-se-nós-ia de um referendo onde o povo decidiria o que queríamos ser. O dito: um ordenou e outro foi ordenado.

Bernardino Vicente Crego Cervantes.

Membro do Conselho Nacional de CxG.

Presidente do Centro Português de Vigo – Fraternidade Galiza-Portugal.