Como está a influir a mentira na sociedade? Mais ou menos que em anteriores épocas? Essa pergunta tem resposta com a velocidade com a que hoje caminha a informação. A credibilidade da informação está hoje submetida à ditadura do urgente e do instantâneo.

Diferenciar a verdade da mentira é um dos primeiros jogos condutais dos humanos, na mesma relação entre pais e filhos está a base do ensino do uso da mentira e do engano. Quem não roubou o nariz a um pequerrucho alguma vez?? A realidade humana transita neste saber usar a mentira e neste saber usar o engano.

Isto, evidentemente tem uma transcendência muito maior segundo vamos adquirindo os rasgos da nossa fase adulta, onde os jogos de mentiras e enganos transcendem a uma complexidade que chega muitas das vezes às mais altas das complexidades; como bem pode ser no entorno dos “hackers” informáticos; onde o engano e a mentira estão já no nível de computação quântica.

Chegamos a este ponto, onde a informação flui num volume inédito, onde todos nós sentimos o direito de dizer qualquer coisa, tanto nas redes sociais, como nos discursos políticos, baixo o que poderíamos dar em chamar “mentira organizada”; uma das armas dos totalitarismo descoberta pela Hanna Arendet nos seus estudos.

Porque a mentira vai da mão do totalitarismo; dá chegada à ausência de espírito analítico; e deriva no niilismo absoluto e na manipulação em massa. A distorção da realidade lança-nos numa luta por viver num mundo construido sobre os nossos próprios fatos, sobre algo que não vai para além das nossas perceções sobre o que é real, baseadas na parte mais reptiliana do cérebro, naquela que controla as nossas crenças e que deita por diante a ideologia antes do que a explicação e o entendimento. No cérebro reptiliano sempre são a ganhar nas disputas a ira e o medo.

A mentira, corre a velocidade de uma lebre; a verdade vai a velocidade de tartaruga. Intencionados, estes boatos inundam as redes sociais, apresentados já como “fatos alternativos”; é dizer; uma mesma realidade falseada numa projeção exponencial a través de robôs, trolls e fake sites gerados a través de Inteligência Artificial, para difundir notícias falsas e materiais enganosos que são tomados finalmente como verdadeiros por muitos de nós.

Mentir sempre foi uma arte e tanto o Sun-Tzu no seu “A arte da guerra”, como o Nicolau Maquiavel no seu “O Príncipe”, entendem que uma das melhores formas de chegar ao poder é a través do engano e da mentira. Deixemos já de ser bebés e deixemos já de pensar que podem roubar-nos o nariz e devolve-lo depois. São horas como sociedade de reflexionar sobre as informações que chegam a nós e ser o suficientemente analíticos para diferenciar o que é real, daquilo do que gostaríamos que seja real.

Se quiser mais informação sobre este tema está disponível o estudo que o Instituto Democratas Europeu (Institute of European Democrats – IED) tem feito e publicado sobre os desafios da União Europeia que segue na encruzilhada entre este aumento da propaganda populista e as soluções democráticas para parar esta desinformação e notícias falsas.

https://www.iedonline.eu/download/2019/IED_Brochure-Populism_April-2019.pdf

 

Daniel Lago Leirós

Secretario de Organización Nacional.